
Lendo as discussões dos vários grupos de email em que estou, vejo blogueiros reclamando de um blog da revista Marie Claire, chamado “Cansei de ser gordnha”. Como o título do blog diz, ele deveria mostrar uma mulher gordinha e seu longo caminho em emagrecer e chegar a um corpo saudável. Fui xeretar o dito-cujo, vi umas fotos de uma mulher magra fazendo ginástica e, na minha inocência, pensei que eram fotos de divulgação daquela prática, que o personal trainer tirou com outra cliente dele. Na outra página, vi a mesma menina em uma academia.
E então, caiu a ficha. Aquela mulher magra, que não precisa emagrecer at all era a tal gordinha do título. Lendo os posts, ela se justifica dizendo que está com a porcentagem de gordura alta para a média brasileira na sua idade e, por isso, é considerada gordinha, ignorando tudo o que eu e você aprendemos sobre peso. O seu índice de massa corporal não vale mais nada; o que conta agora para determinar se alguém está fora do peso ideal é só o quanto de gordura você carrega.
Mas peraí… a porcentagem dela era somente uns 5% mais alta do que a média (ou seja, varia para mais ou para menos) e ela estava longe do percentual que a indica como obesa. E esses 5% ela consegue eliminar alimentando-se melhor e praticando exercícios regularmente, arrisco a dizer.
Não sou médica para afirmar com todas as letras, mas acredito que seja este o caminho. Em um post mais recente, ela afirma que o IMC não é confiável porque é uma informação genérica e atletas, por exemplo, não podem se basear no IMC para medir se estão saudáveis ou não. OK, concordo que o IMC não diz nada se você é saudável, apenas informa se você, cidadão comum, está fora do peso (para mais ou para menos). Também concordo que atletas não usam esse método porque eles têm é muito músculo e acabam caindo na faixa dos obesos sem o serem de fato. Mas calmae… pessoas normais não consome 12 mil calorias diárias. E não gastam tudo isso exercitando-se o dia inteiro.
Não estou desqualificando totalmente a comparação com atletas; só digo para não confundirmos alhos com bugalhos.
O que me incomodou no blog foram três coisas:
1) Peso não é necessariamente indicativo de saúde, existe magro que não é tão saudável quanto uma pessoa um pouco acima do peso. Percentual de gordura é importante, mas a relação peso X altura também o é e não podemos descartar para justificar o nome do blog.
2) Se o que vale é o percentual de gordura e não o peso e o que ela quer é ser saudável e não magra (como a moça afirma em um post – e não pensem que eu tive que cavar declarações, quando chequei havia apenas uns 10 posts, foi fácil ler o blog todo), então porque, em outro post, ela reclama e fica triste ao ver que engordou X gramas mesmo com todo exercício? O objetivo não era ser saudável e não perder peso?
3) Quando entramos em um blog com o título “Cansei de ser Gordinha”, há a expectativa de encontrarmos uma mulher visivelmente acima do peso, acompanhar a nova rotina dela, nos inspirarmos e participar da batalha dela contra o peso. Mas se encontramos uma mulher considerada magra e que a única justificativa para ser gordinha é um percentual de gordura há uma grande decepção.
O terceiro ponto é o que me preocupa nessa brincadeira toda. Pelos comentários que li no blog, eles se dividem em duas frentes: a que é contra o título e pede para que ele seja mudado e as que defendem a causa e estão lutando para emagrecer. Notei que a maioria das que pedem a mudança no nome do blog são de gordinhas que esperavam encontrar uma “igual” e acompanhariam a rotina da moça para se inspirarem. E a maioria das mulheres que defendem o título do blog são as que possuem um tipo físico parecido com a da autora e se acham gordas. O que eu vejo nesse segundo grupo: tendência a distúrbios alimentares.
Ponto negativo para a Marie Claire. Não leio a revista, mas tenho para mim que ela não defende que as mulheres devam ser hiper magras, com problemas alimentares. E é essa a mensagem que ela passa com esse blog; é como se induzisse as leitoras a emagrecerem por uma questão estética distorcida. A autora do blog é magra (visualmente falando), mas o título diz que ela é gordinha. Apenas mais uma forma de atacar as mulheres, que devem ser perfeitas, com o peso – e a barriga “negativa”, ou seja, sem um pingo de barriga – que as revistas femininas ditam (que ironicamente é o contrário do que as revistas masculinas dizem; basta ver as quatro capas da Playboy com a Mulher Melancia, as milhares de capas com as meninas do É o Tchan para ver o que o público masculino está preferindo).
Na sexta passada, a autora informou que a Marie Claire decidiu mudar o nome do blog e conta com as leitoras para ajudar a escolher o novo. Gostei de ver que as considerações que os internautas fizeram foram ouvidas. Talvez o nome do blog devesse ser “Cansei de não ser saudável”, afinal, ele trata de saúde e não de estética.
Apenas para deixar claro, acho válido fazer um blog com este tema – vida saudável, independente do peso -, apenas o nome deve ser mudado.

Querida,
a verdade é que com certeza ela foi a designada pra fazer o blog, paga pra isso, ao invés de escolherem alguém que realmente necessite emagrecer. Que eu saiba, ano passado a Criativa tinha um blog parecido, com exceção de que a repórter precisava MESMO emagrecer, mas acho que ela nem conseguiu, e nem levava o trabalho à sério.
Também achei que o blog não tem nada a ver com a Marie Claire.
Adorei seu post,
beijão
Acho muito mais bonito gordinhas q magrelas. Gente com cara de GENTE NORMAL, saudável…Sabe??? O físico modelo / atleta queniano exige um esforço desumano… Pra q sofrer tanto???
Essa mulher da reportagem, pra mim, foi paga pra fazer isso como a Mah falou… Claro! E vai deixar em depressão muita mulher de cabeça fraca e auto-estima no pé…
¬¬
Me revoltei. E claro, adorei o post!
Te amoo Bibi!
Concordo com vc. Onde aquela mulher está gorda? Na mente dela, só se for. Pq diante do espelho não vejo nada demais.
E, sabe, concordo com vc sobre o risco que esse tipo de apologia traz. Viver com “quilinho a mais” pode se tornar um verdadeiro pesadelo se for repetido a exaustão que isso é errado, e quem é assim nunca será aceito pela sociedade.
Depois, nessas mesmas revistas, leremos matérias “alertando” sobre o perigo dos distúrbios alimentares….
Belo post.
Bjos
Bem pra variar a mulherada e alguns homens tb hoje em dia, se enxergam de uma maneira errada e pior influenciam outras pessoas a isso. Po to na academia a quase três meses e nem emagreci mto, mas estou mais saudável, disposta e o corpo mudou um poko apesar de não ter perdido mto peso, e é assim que tem que ser tudo a seu tempo
adorei o post
bjcoas
Oi, Bianca, tudo bem?
Aqui é a Laura, editora da Marie Claire, e que protagoniza a série de reportagens do antigo cansei de ser gordinha. Hoje, cansei do pneuzinho.
Gostei muito do seu texto e acho suas críticas válidas. Todos os seus argumentos já foram questionados e estão defendidos no blog, como você deve ter visto
Concordo com você que o nome pôde soar descabido, embora nossa intenção fosse apenas criar um título com humor. Por isso, mudamos. Mas acho importante a gente não reduzir a discussão a essa questão semântica.
Mulheres e homens que estão “apenas” 5% acima no seu percentual de gordura têm de perder essa massa gorda. Não é um número pequeno para profissionais da saúde. Voci´pode checar, se quiser, o que estou falando. Ter um percentual alto de gordura, ainda que a pessoa não seja obesa, pode trazer problemas graves de saúde a longo prazo.
Ninguém precisa esperar chegar ao grau de obesidade 1, calculado no IMC (um método de análise ultrapassado), para começar perder gordurinhas e evitar chance de infartos, diabetes, etc. Acho que aí está o ponto.
Outro ponto é que tenho sim, também, um objetivo estético. Uma coisa não anula a outra. E não vemos mal nenhum em querer isso, desde que o processo de emagrcimento seja saudável. Sem remédios, por exemplo.
O fato da Marie Claire ter me designado para fazer essas matérias não significa que a revista apoia a ditadura da magreza. Queremos apenas que as mulheres se sintam confortáveis com suas formas. No meu caso, preciso suar um pouco para isso.
Convido você seus leitores a participar da discussão no blog.
Abs,
Laura
Olá, Laura!
Achei ótimo que a Marie Claire mudou o nome do blog, que não combinava com sua forma física. Gordinha você não é e você se propõe a discutir a saúde. Os comentários das leitoras que me preocupou, canso de ver mulheres maravilhosas se achando um barril de gordura.
Boa sorte com os exercícios =)
Cada um com seu corpo, sou contra padrões, o certo é estarmos bem com a gente mesmo. Prefiro ficar com Rita Lee: “quero mais é saúde, me cansei de escutar opiniões…”
bjs Bi!
Isso é tudo que eu realmente precisava ler hoje!! (tpm)
Bem legal o post.