Foto de Gabriel García Márquez.
Curiosamente, um dos únicos escritores cuja obra eu li quase em sua totalidade é a J.K. Rowling, vulgo escritora de Harry Potter. A bem da verdade, eu não costumo ter uma ordem de leitura; termino um livro e começo a ler o que me agradar intuitivamente (no melhor estilo “julgue o livro pela capa”), assim como compro vários livros e vou lê-los dali uns cinco anos.
Um dos meus escritores preferidos é o Gabriel García Márquez. Li poucas obras dele, mas apaixonei-me por sua forma de escrever, chamada de “realismo fantástico” ou mágico pelos críticos. Bem, vamos por partes: Gabriel García Márquez (ou GGM) é um escritor, jornalista e ativista político colombiano e em 1982 ganhou o Nobel de Literatura por seu livro mais famoso, Cem Anos de Solidão.
Ultimamente aparece na mídia mais pela amizade com Fidel Castro do que por seus escritos, chegando a ser chamado de comunista. Não que isso o incomode, afinal, sempre teve uma maior identificação com a esquerda. Li algumas poucas entrevistas com ele e impressionou-me muito a sua humildade. Em uma das matérias, o escritor afirmava não compreender direito o porquê de tanto fascínio com relação a suas obras, pois tudo o que faz é recontar as histórias que sua avó contava quando ele era criança.
GGM nasceu e cresceu na pequena cidade de Aracataca, onde as histórias mais antigas era passadas às novas gerações sempre de maneira oral, o que fazia com que elas viessem recheadas de mitos e crenças, como as histórias do “homem do saco”, que ouvíamos quando éramos menores.
Além disso, GGM freqüentemente explora a mágica realidade característica dos países latinos (isso ainda na visão do europeu colonizador). Antes de tudo, eu considero esse fator um elogio; poucos locais possuem tantas misturas e histórias a serem contadas como aqui. E, convenhamos, muitas coisas só poderiam acontecer na América Latina, onde as pessoas ainda se deixam levar por algumas crenças e não são repreendidas pelo pragmatismo do “Primeiro Mundo”. É aquela ingenuidade sincera, aquela inocência (e, por que não, pureza) do folclore. Antes que me entendam mal, GGM não descreve mitos; ele faz uma mescla da realidade vivida com as lendas contadas há séculos, por isso, o “realismo mágico”.
Em todas as suas crônicas, o jornalista procurava colocar um pouco de suas influências. Escrevia algumas histórias mais fantasiosas, mas sempre com um contexto político forte como cenário. A compilação dessas narrativas deu-se em Cem Anos de Solidão. O escritor chileno Pablo Neruda já afirmou que “este é o melhor livro escrito em castelhano desde Quixote”. O livro conta basicamente a história de sete gerações da família Buendía. Leitura altíssimo recomendada, de preferência com um bloco de anotações ao lado.
Mas, ao contrário da maioria das pessoas, não comecei a ler o autor por seu livro mais famoso. Tinha há anos o Do Amor e Outros Demônios (e nem lembro onde e como comprei), que conta a história de um cadáver de uma menina cujos cabelos têm 22 metros. Na época o jornalista García Márquez descobre que tal fato é comum, mas recorda-se de uma lenda de sua avó, que diz que uma menina foi mordida por um cachorro e vive entre os escravos. A menina era considerada milagrosa e seus pais a levavam em vários curandeiros, sem descobrir como tirar o demônio da criança.
Depois, li a “biografia” do escritor, Memória de Minhas Putas Tristes. Biografia entre aspas, pois não é uma oficial, mas uma história que muito se assemelha a do escritor. Por conta de uma optativa na faculdade, parti então para o lado mais jornalístico de GGM, li várias crônicas e os livros Relato de um Náufrago e Notícia de um Sequestro. Ainda não vi o filme de Amor nos Tempos do Cólera e não li o livro.
Ainda por influência do que aprendi sobre o escritor, estou lendo um livro chamado História da Literatura Hispano-Americana, que faz um apanhado da literatura latino-americana. Sabemos que os latinos possuem um estilo literário bem diferente dos europeus e estado-unidenses (que nos enxergam ainda como um povo exótico) e há um movimento que diz que merecemos um destaque na literatura mundial. Acredito que não enxergamos muito da magia do nosso cotidiano exatamente por ser nossa rotina. Uma leitura de Gabriel García Márquez sempre faz bem ao ego pisoteado da América Latina.
Ah, vale ainda dizer que GGM gostava de ler Machado de Assis.


Por curiosidade minha li a obra-prima de Garcia Marquez em seu idioma original,e confesso que adorei. Sempre tive preferência por livros que explorassem o lado fantástico das histórias, mas a forma como ele narra os acontecimentos em torno da família Buendia e do vilarejo em que eles vivem me cativou.
Porém, por influência de “terceiros”, que souberam explorar muito bem minha curiosidade, acabei lendo outro livro dele: “Crônica de uma morte anunciada”, que narra o assassinato de Santiago Nassar e as causas deste acontecimento. Neste livro não há muito do realismo fantástico que encontramos em “Cem anos de solidão”. Entretanto é uma excelente leitura.
E concordo com você. Um pouco de fantasia faz bem para compreendermos as miscigenações culturais e as muitas lendas que fazem parte de nossa cultura.
Tenho até vergonha de dizer mas ainda não li nada de Garcia marquez e vc não sabe como isso irrita uma estudante de letras – os livros que ainda não leu…..rs
Mas ele está na minha lista daqueles “uma dia”, “nas férias”…..espero que chegue logo……………rs
bjs
Eu gosto bastante do Gabriel García Marquez na adolescência e foi um dos caras que eu li bastante. Meu pai quando era jovem gostava bastante e achei vários livros na minha casa, muitas vezes bem diferentes no modelo de Cem Anos de Solidão e eu gostei bastante, até me esgotar um pouco.
Faz tempo que não leio nada dele…
Um beijão
Gabriel García Marquez também me encanta! O primeiro livro dele que eu li foi “Amor nos tempos do cólera”. Até hoje é um dos meus preferidos.
Belo texto! Parabéns!
Um beijo!
Devo dizer que nem o conheço.xD
mas como sabe nao sou bom de leitura, enfim, depois me empresta esse livro ai, e eu leio..xD
desconheço também…
e não sei, nunca consegui ler HP tb, então nem tenho muito que comentar
Só li o Cem Anos de Solidão, por indicação sua, foi presente de Natal de 2006. Nem sei se você já o tinha lido antes, pois eu lembro de tê-lo devolvido depois que o li.
Devolvi, não por achar o livro ruim, pelo contrário… ele é um livro perturbadoramente bom.
Desde que eu me senti saído da primeira infância, não teve literatura me fizesse passar mal. Tirando esse livro.
Então, devolvi-o para não cair na tentação de lê-lo outra vez. Foda. XD
confesso que no início achei tudo muito louco e até pensei em desistir mas algo me prendia então começei a me apaixonar pela história a ponto de não conseguir parar de ler,o incrível é que nos identificamos e nos reconhecemos naquelas loucuras todas adorei o livro recomendo a todos.