Minha família, comemorando não lembro o quê em um restaurante japonês. Nossa, meu cabelo tá vermelho ou marrom!
O blog que mais li na última semana foi o Akai Aji, do amigo Thomás. Vi que ele atualizava quase diariamente e dava uma passadinha. O tema do blog dele é os 100 anos da imigração japonesa. Ele está indo em todos os eventos possíveis e conta suas aventuras. Após a leitura da semana cultural, comecei a pensar sobre o assunto.
No começo do ano, quando soube das comemorações do Centenário, eu queria muito ir em vários eventos, praticamente eu era a única empolgada. Agora, que as comemorações estão de fato acontecendo, devo ser a única descendente que não está ligando muito. O Leonardo, do Notas de Rodapé, até convidou para ver o Príncipe Naruhito na São Francisco, mas a grande burocracia e o horário me impediram de ir. Não que fosse cedo, 10 horas da manhã é tarde quando eu estou em aula; mas quando se acostuma a ir dormir às 5 horas da manhã, 10 é pouco sono.
Além disso, outro pensamento me corroía: “eu não acordo cedo nem para ver o Lula discursar, por quê iria ver o japonês?” Com todo respeito que sua Majestade merece, claro. Para muitos, ver o Lula pode parecer perda de tempo, mas minha intenção é outra. Eu quis dizer: se eu não acordo cedo nem para ver o representante do meu país, o homem que eu ajudei a eleger, não acordaria cedo para prestigiar o representante de outro país. Mesmo que seja o Príncipe do Japão, de onde vieram meus avós e bisavós. Confesso que minha atitude teve muita influência de um pecado capital chamado preguiça, mas como não sou católica, não me condeno.
Dizem que o Príncipe tem uma aura diferente, mágica, e, pela reação das pessoas, eu acredito. É emocionante ver o depoimento das obasans felizes e chorando por terem visto e tocado sua Majestade, que deveria ser intocável. Nem mesmo o Lula poderia cumprimentá-lo com um aperto de mãos (regra desobedecida por Naruhito assim que chegou ao Brasil). Também sempre gostei de ler sobre a família real japonesa, com sua aura de mistério e discrição. Os japoneses e os descendentes sempre mostraram muito respeito por aquelas autoridades e, mesmo que eles quase nada representem politicamente falando, são um símbolo muito forte. A eterna busca por um herdeiro homem terminou quando nasceu a princesa Aiko, que encantou a todos e agora mulheres podem ser herdeiras do trono.
Voltando ao assunto, talvez o mais próximo do Centenário que cheguei foi entrar no site da Abril e começar a montar minha árvore genealógica. Estava disposta a vasculhar toda minha genealogia, mas desisti assim que o site começou a dar pau. Maldita tecnologia!
Com isso, posso chegar à conclusão comum: sou uma japonesa do Paraguai! Meio pejorativa a expressão e nunca concordei com ela; ao contrário de muitos, não acho vergonhoso um descendente não saber a língua e cultura dos seus ancestrais, considero benéfica a mistura de culturas (tanto nos costumes quanto nos casamentos) e não vejo problema em descendentes não gostarem de comida japonesa. Convenhamos… por que é que todo mundo pensa que uma pessoa de olhos puxados tem que saber a língua japonesa (porque para muitos, coreanos, chineses e todos os outros povos de olhos puxados são japoneses) e uma pessoa de ascendência italiana não precisa saber a língua da Itália?
Sei que já perguntei aos meus avós da onde eles vieram, mas não me recordo da resposta. Tenho sério problema quando trabalho em pares, confundo tudo e todos. O que lembro é que um dos meus avôs (da parte materna) vieram de perto ou de Hiroshima ou de Nagasaki e saíram do Japão antes da Segunda Guerra Mundial. Do lado paterno, meu avô veio no segundo navio japonês que ancorou no Brasil. Curiosamente, sei mais sobre meus avôs do que sobre minhas avós…
São pessoas que eu admiro. Por todo esforço que tiveram de criar seus filhos em um país estranho e que mal falavam a língua. Começando pelo meu avô paterno, Katsumi Hayashi, sempre criou os filhos na rígida estrutura familiar japonesa. Meu pai e meus tios frequentaram escolas da colônia num sítio nos arredores de Mogi das Cruzes, ajudando na lavoura e estudando bastante. Meu avô sempre fez questão de que os filhos falassem japonês em casa e, por causa disso, meu pai fala a língua tão bem que pode passar por um japonês sem problemas. Pena que ele tem pouca paciência para ensinar… O Hayashi-sama também teve o maior cuidado em criar um tio meu – já falecido – que tinha problemas mentais. Um dos fatos que me marcaram com relação ao meu avô é que uma semana antes de ele morrer, eu sabia que isso ia acontecer. Estávamos indo embora da casa dele e, quando olhei para me despedir, foi como se tivesse visto a sombra da morte. Quase o mesmo aconteceu quando a minha avó (esposa desse meu avô) faleceu; eu fiquei muito doente e só melhorei depois de sua morte.
Já meu avô materno, Hidehiko Kaziyama, ainda está vivo, assim como minha avó materna – que completa 77 anos agora em julho. Ninguém na minha família sabe o porquê dessa idade ser tão importante para os japoneses, mas vamos comemorar como se deve. Meu avô vendia roupas em feiras quando minha mãe era pequena e levava os filhos a tiracolo porque não tinha quem cuidasse deles. O comércio cresceu e ele virou um pequeno empresário, mesmo tendo estudado apenas até a quarta série do fundamental. Apesar de ele ter nascido no Brasil, não fala bem o português porque teve a mesma educação japonesa do meu pai. Quando eu era pequena, ele tinha um sítio em Atibaia e todo final de semana íamos lá, sempre tinha festa de aniversário e era um ótimo lugar para juntar as famílias. Lembro que foi lá que eu soube do Chupa-Cabras e eu morria de medo de ficar sozinha à noite por causa disso. E, como era um lugar afastado da civilização, qualquer luz estranha eram ETs prontos para me abduzir. Quando crescemos, o sítio foi vendido, mas o local era (e é) tão importante para mim que um dos meus sonhos mais bizarros e marcantes foi ambientado lá. Hoje em dia meu avô anda bem de vida e feliz com os bisnetos que começam a chegar. Bem, minha avó também, enquanto minhas tias entram em crise porque estão virando avós. Ah, e meus avós casaram no tradicional sistema japonês chamado miai, que é o arranjo do casamento pelos pais. Por enquanto, estão vivendo bem e felizes.
Em casa, mantemos pouco das tradições. A mais forte é comer arroz “empapado” feito na panela elétrica e usar hashis. Temos um templo budista onde deveríamos colocar oferendas aos mortos (ou algo do tipo) e que, por tradição, deve ser passado ao primeiro homem da família, ou seja, meu irmão, que não tem nenhum interesse nisso. Mórbido demais. Talvez grande parte dessa “não-tradição” venha do fato de que minha mãe é católica e meu pai é budista. Minha mãe nunca teve muito de tradição em casa e meu pai deve ter um certo trauma delas. Eu completei o curso básico de japonês na Aliança Cultural Brasil-Japão (uma das maiores envolvidas nas comemorações do Centenário) e tiro muitas fotos, como um turista japonês. Adoro animes, mangás, filmes e comida japonesa. Repudio o machismo e admiro o respeito que eles têm por honra e outras virtudes. E namoro um brasileiro típico (mestiço de índio com português).
Depois dessa pequena homenagem, acho que preciso me inteirar nas comemorações, viver esse momento especial para a colônia. Bem, aí vem o Festival do Japão e o Tanabata Matsuri, quem quer ir comigo? ^^


Eu não me importo pelo fato de alguns descendentes não seguirem a rigor os custumes do seu povo. Mas eu acho sim, que a grande maioria dos jovens que são descendentes deveriam ter interesse pelo seu povo. Eu não sou descendente. Eu daria minha vida para nascer com um poquinho de Japonês. Eu amo muito a cultura Japonesa. Parece que são apenas as Japonesa, mas não. Eu me interesso por tudo. A Cultura, Tecnologia e História me fascinam ao máximo. Eu me considero até certo ponto anti-patriota, pois se houvesse uma guerra entre Brasil e o Japão eu iria lutar em nomo do País do Sol.
Não gosto do Brasil. São poucos Brasileiro que merecem o meu respeito, a minha amizade e a minha atenção.
O meu jeito de demonstrar esse carinho é fazendo trabalhos Voluntários. E esses 100 anos da Imigração Japonesa vieram em um tempo bom. Eeu não estou nem ai. Esse ano eu deixei de lado um pouco da minha vida para ajudar a Cultura Japonesa no que posso.
Eu irei com vocês no Festival do Japão e no Tanabata Matsuri. \o/
Pode contar comigo!
A propósito, eu apareço nessa foto! XD Como comi nesse dia… ah, que delícia!
Lendo seu texto, Bi, lembrei daquela frase que diz que para vivermos plenamente, ou algo assim, precisamos ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Agora eu creio que entendo melhor o que essa frase quer dizer.
Primeiramente, não se trata do conectivo “E” e sim “OU” xD. Preservarmos o planeta, a cultura, e para quem quiser filhos, “levá-los a tiracolo”.
É como se deixássemos de ser um ponto isolado para nos dissolvermos num indefinido…
… …
Realmente, nossos ancestrais são muito mais do que nós, jovens pretensiosos, pensamos. A História não começa conosco…
Well, posso ir creio eu, nunca faço nada, leve a camera e eu te ajudo a tirar fotos..xD
Bom, creio que que é sempre bom saber um pouco sobre qualquer coisa, cultura japonesa é sim muito interessante.
Devo dizer que não sei muito sobre minha descendencia, na verdade é mais facil para um decendente japones se fixar doque uma mistura de espanhol, italiano, portugues e indio, sou um omelete em pessoa, pouco que sei é sobre o nome,
Mariano, vindo de Marianni da Italia, familia com brasão e tudo mais..=D
Falando nisso, me eu uma ótima idéia essa de brasão..xD
Bem, vamos la no tanaracha matsuri.
Falando em brasões… eu me amarro nessas imagens de quem não é do wordpress… e eu percebi que é sempre a mesma para as pessoas! Como será que isso acontece, hein? E como será que elas são criadas? Será que se cem pessoas comentarem aqui, as cem vão ter fotinhos diferentes? *.*
Deve ser pelo IP… coincidência não é xDD~
E eu nem coloquei no texto porque esqueci, mas eu devo ter um sangue misturado também. Minha avó materna tinha olhos verdes, eu tenho olhos castanho claro… deve ser coisa de algum português, hahahaa.
É… algum português que deixou sua marca lá no Japão, quando pisou em terra firme, hehehehe…
E eu compreendo perfeitamente XD
OU, como já disse, é a mutação que existe na sua família. Não vê que você tem só 3 dentes? Cuidado, você pode ser uma équismem e não saber… XD
Ah, mas a moda agora é participar daquela ilha da record, parabéns \o/
XDDDD como é da hora te zoar!! *.*
“XDDDD como é da hora te zoar!! *.*”
you deserve a real hard kick in the ass.
E… “sou um omelete em pessoa”? XDDDDDDDDDD
Você quer me chutar para fazer omelete?! AAAAAAAAAI!!! ISSO NÃO SE FAZ!!!
SUA TRAIDORA XD
Engraçado vc dizer que não está muito antenada nas comemorações.. lembro de suas empolgação no ano passado..rs.
Agora, sobre o convite, eu topo..rs. Não tiro tantas fotos quanto vc, mas posso tentar tirar algumas..rs
Comentando seu texto, acho a cultura japonesa bem interessante, embora assuma que não conheço muito sobre ela.
E vc sabe mais sobre sua origem do que eu sei sobre a minha.. se bem que a minha é bem brasileira: cheia de miscigenações: de portugueses a indígenas..rs
Eu não sou muito conhecedor da cultura japonesa, mas certamente sou bastante fã do povo japonês. Pela honra, pela educação, pela disciplina… É uma sociedade sem vícios culturais que rejudicam tanto o próprio povo da nação como o de outras nações, como o jeitinho brasileiro, ou o patriotismo cego dos americanos, ou até o fundamentalismo religoso de alguns países do Oriente Médio.
E também acho interessante essa unidade que os japoneses têm, não deixa de ser um modo de prevalecer e fortalecer os costumes do povo.
Bianca e Thiago, comentário de post n é sala de chat lol
E hmm, hoje em dia lá no Japão mesmo tem mto “japonês paraguaio” também. E não estou falando dos dekasegis, to falando de muitos que não se esforçam para aprender kanjis, preferindo o americanismo (alguns estudiosos até acham que a língua japonesa irá morrer em poucas gerações). Outros que procuram deixar as tradições o mais cedo possível para sair daquela coisa de casa paternalista e tal.
Eu acho que para alguém que não nasceu no Japão e que foi criada em uma cultura tão diferente, não abraçar todas os aspectos culturais da visita do príncipe não significa um desrespeito tampouco uma falha de identidade de herança…