
Imagem daqui.
Não faço a mínima idéia do porquê, mas um tema meio decorrente nesta semana entre minhas amigas foi sexo. E nem foi das pessoas que a gente mais espera (como as que esperam ansiosamente pelo filme de “Sex and the City”), mas da boca das “Pollyanas”.
Não por coincidência, eu ando assistindo muito “Sex and the City” e “Grey’s Anatomy“. O primeiro marcou época por colocar quatro mulheres de trinta e poucos anos discutindo abertamente sobre sexo em uma época onde isso era incomum. Arrisco a dizer que, a partir delas, o assunto começou a ser debatido com intensidade e menos moralismo. “Grey’s Anatomy” é um seriado dramático que discute a vida pessoal dos médicos iniciantes em um grande hospital. Um dos temas de Grey’s nesta semana foi a quantidade de sexo que as pessoas do hospital têm uns com os outros. Desse episódio (“The Becoming”), são as citações que colocarei ao longo do texto.
“I hate women like you. You string guys along acting like sex is some prize, when really you’re just afraid of what you’ll give it up if he loses interest.”
Doutor Mark “McSteamy” Sloan à enfermeira Rose.
Primeiro, a virgindade. Nossos vinte e poucos anos e ainda há muitos e muitas virgens na faculdade. Talvez seja um pouco da educação presbiteriana de muitos (faculdade presbiteriana tem muitos filhos de pastor. E eles sempre têm bolsa de estudos), talvez seja o curso natural das coisas. Ainda encontro muitos pensamentos que a sociedade costuma julgar como ultrapassados, como ter a primeira vez com alguém especial ou mesmo esperar um longo tempo antes da primeira relação do casal. Muitos medos e angústias, o desconhecido. E então a frase do McSteamy (ou McSensual, numa tradução livre) se encaixa, ao ver o sexo como um prêmio e o receio de o ver desvalorizado.
Há também aquelas que preferem esperar o casamento. Para essas meninas (e não digo todas, apenas as que eu conheço), o sexo é algo sagrado e a recompensa de ter feito o casal esperar anos de relacionamento incólume. A maioria delas, ainda, não vê o sexo como algo divertido; têm o desejo, mas pensam muito mais na procriação. Não pensam sobre seus desejos, os sentem e não extravasam.
Ainda usando a frase acima como referência, McSteamy se referia à Rose como uma mulher que já teve relações sexuais antes, mas demoram a ter com novos parceiros pelo medo do homem perder o interesse, elevando o sexo a algo mágico. Pelas discussões das revistas femininas, esse é um medo comum das mulheres; sempre é aconselhado a não dormir no primeiro encontro e reservar-se a algo especial, muito como as revistas femininas do passado. Claro, não tem como dizer: “façam sexo sempre que quiserem e com quem quiserem”, isso seria irresponsável, a sociedade não iria gostar e a revista não ia vender. E acredito que as doenças sexualmente transmissíveis iriam aumentar.
“He forgot he had sex with me?”
Lexie ao George sobre Alex.
Um problema de fazer sexo com muita gente é que você eventualmente esquece com quem você fez. Não é por mal, é como conversas cotidianas. Mas acredito que as ótimas e as piores transas a gente recorde muito bem com quem foi. Mas não importa como foi a relação, ninguém gosta de ser o esquecido. Há o desejo de ser muito bom nessas questões, por mais que isso não seja verdade.
Conversar sobre sexo é tabu, faz as pessoas corarem, velhinhos te chamarem de depravado e olhares indiscretos são recebidos. Mas transas ruins nos faz lembrar das pessoas. É má publicidade.
“This man is a whore. Has always been a whore and probably always will be a whore. But that’s not a secret, he’s not keeping it hidden. You all knew who he was before you got involved with him. And now you wannabe all “oh, poor me, he don’t call me back, he’s dating other women”. He’s nasty.”
Miranda Bailey sobre Mark “McSteamy” Sloan.
Nesse momento, a Bailey critica as enfermeiras que transaram com o McSteamy. Elas sabiam como ele era, sabiam que ele era o galinha do hospital. Mesmo assim, foram para a cama com ele. E, quando descobriram que o cara tinha saído com quase todas as mulheres do hospital, organizaram um boicote às cirurgias dele, impedindo-o de trabalhar. Pois bem, esse é um defeito do mulherio; têm na cabeça que aquele sexy bad boy vai mudar de atitude uma vez com ela. Claro que ele não muda; continua dormindo com quem cair na rede e vive feliz assim. A gente é que chora, se descabela e se sente a coisa mais rejeitada. Mas sabíamos muito bem com quem estávamos nos metendo.
O amigo galinha poderia vir a ser o “sex-buddy”, aquele que você só procura quando quer transar. Não conheço ninguém que tenha um (ou nunca me disseram), mas é uma ótima idéia. Quando estão carentes, façam; caso contrário, está tudo bem. Os dois ficam felizes e a vida prossegue. Não há sentimentos envolvidos, apenas um grande tesão.
“I slept with her.. and the whole time I was thinking of Meredith. Who’s the whore?”
Derek “McDreamy” Shepherd sobre Rose e Meredith.
Este é o McDreamy assumindo ainda estar apaixonado por Meredith, mesmo saindo com a Rose. Quem é o mais canalha, o que é assumidamente promíscuo ou o que está em um relacionamento e só pensa em outra? Ou não há ninguém a culpar?
No caso, ninguém considerou um ménage à trois ou mesmo um relacionamento aberto. Fico pensando sobre o início de relacionamentos que mostram em seriados, o estilo estado-unidense de se relacionar. Eles começam saindo com a pessoa, tem todo um romantismo em cima do primeiro beijo… até que um dos lados decide abrir o jogo e dizer que quer ser exclusivo. Então começa o namoro de verdade. Claro, a vida real deve ser muito mais parecida com a nossa, mesmo com todo o puritanismo deles. Mas parece que eles complicam tanto mais a vida… com regras para todos os encontros e cheios de horas importantes.
E, para este trecho, fica a pergunta: quando falamos em sexo, amor é importante?

Eu acho que é canalha quem não é honesto. Se o cara diz que sai com ‘n’ mulheres para a parceira antes de se relacionarem, ele é honesto. E ponto.
Sabe? Nunca vivi nos EUA… mas não acho, de saída, que eles têm mais frescuras que a gente aqui, não… todo dia 12 de junho, p.ex., é uma palhaçada, e nem é mais mito que essa data é totalmente comercial, e isso só para pegar um exemplo aleatório. O fato é que como somos culturalmente acríticos, acabamos sendo românticos… aí ferra tudo.
E eu gostaria de ter a força de espírito e a humildade de, havendo cem oportunidades em que uma outra pessoa quisesse, poder transar com essas cem pessoas sem guardar ressentimentos e podermos tocar nossas vidas.
Por fim, acho ótimo ver você falando disso tudo XD Quando terminarmos nosso namoro, se terminarmos, eu vou me lembrar de tudo isso, viu? XD
I have a baaaad feeling about this… ¬¬
Assisto mto “Sex and the City”, e adoro. “Grey’s” eu comecei a assistir agora, dpois q eu passei uma temporada nos EUA e vi bastante coisa sobre essa série, que é sucesso absoluto la; sempre ouvia sobre “McSteamy” e “McDreamy” e imaginava qm seriam essas pessoas e o pq do apelido. Eu gosto das duas séries, e tb acho interessante como abordam o tema sexo q, como vc disse, eh um tido como tabu pela sociedade – por mais hipócrita q possa parecer.
Acho extremamente interessante como vc ‘destrincha’ com bastante lucidez o tema, juro, gostei mto. Vc colocou no seu texto muito do q eu penso e mto do q mta gte pensa.
Sempre tive uma posição mto minha sobre sexo, e te digo q com o tempo e as experiencias mtas coisas mudam e mtas coisas permanecem iguais. Sempre achei, por exemplo, q o sexo deveria ser feito com alguém especial – e ainda acho isso -, mas um belo dia me deparei com a questão “como sabemos qm eh a pessoa certa? qual o teste q comprova isso?”, e foi aí q me dei conta q a pessoa certa eh a pessoa certa naquele momento, alguem q naum precisa ser perfeito, um principe, mas q basta ser alguem importante, especial e q te completa. A ideia de q ficaremos pra sempre com aquela pessoa naum passa de ilusao, e devemos ter isso bem claro, pq da msm forma q eh uma possibilidade, pode tb naum ser.
Acho q oq me incomoda em relação a sexo e a amor é o fato de terem sido banalizados sem dó nem piedade.
Para mim, qdo falamos em sexo o amor eh de extrema importancia sim. Posso soar meio antiquada qdo digo isso, mas naum acho interessante essa novidade dos dias d hje, esse lance de sexo sem compromisso, sei la, acho q falta alguma coisa. Acredito q pra ser legal tem q ter sentimento, ligação, carinho.
Bjos Bi, adorei o post! =0)
Bi,
no meu grupinho, sexo é um assunto um tanto comum e é uma delícia poder falar de tudo sem tabus, ouvir tudo, entender e ser entendida. Apesar de não falar sobre sexo no meu blog, mas eu gostaria.
Conheço gente que ainda não deixa o cara passar a mão na bunda e pra mim isso é total 15 anos.
Sexo e amor? o amor muda todo o sexo, faz dele uma experiencia toda diferente. Mas o tesão pode vir sem ele, sim. E é uma experiencia boa também…
Enfim, fiquei com vontade de snetar e conversa,r hehehe (eu aaamoooo falar de sexo)
Adorei o post. Me inspirou a escrever sobre isso também.
“Pelas discussões das revistas femininas, esse é um medo comum das mulheres; sempre é aconselhado a não dormir no primeiro encontro e reservar-se a algo especial, muito como as revistas femininas do passado. Claro, não tem como dizer: “façam sexo sempre que quiserem e com quem quiserem”, isso seria irresponsável, a sociedade não iria gostar e a revista não ia vender. E acredito que as doenças sexualmente transmissíveis iriam aumentar.”
Não sei se estou sendo inocente, mas… será que as revistas têm esse poder mesmo? Algumas colocam na capa: “100 maneiras de enlouquecer um homem na cama”… isso não é dizer, de certa forma, “transem com quem quiserem e como quiserem”? As mulheres fazem sexo de acordo com o que lêem?
“O amigo galinha poderia vir a ser o “sex-buddy”, aquele que você só procura quando quer transar. Não conheço ninguém que tenha um (ou nunca me disseram), mas é uma ótima idéia.”
Hmm… acho que não tenho nenhum amigo galinha… hahahahaha…
“Este é o McDreamy assumindo ainda estar apaixonado por Meredith, mesmo saindo com a Rose. Quem é o mais canalha, o que é assumidamente promíscuo ou o que está em um relacionamento e só pensa em outra? Ou não há ninguém a culpar?”
Nesse ponto eu concordo com o Thiago. Canalha é o cara desonesto, não o que é “apenas promíscuo”.
“E, para este trecho, fica a pergunta: quando falamos em sexo, amor é importante?”
Amor e sexo são coisas diferentes, afinal são palavras distintas (veia lingüística pulsando… haha). Bom, o que quero dizer é que é possível existir sexo sem amor. Amor sem sexo eu ainda não sei bem… acho que em um “relacionamento amoroso comum” a “expectativa” existe (caso não ocorra o sexo logo de uma vez). Ataque pedra quem não se envolveu em um “relacionamento amoroso” e não pensou em sexo…
Marina, fique à vontade para escrever sobre sexo (e conversar comigo também! =D). Troca de experiências é sempre válida!
Fabi, o que eu mais vejo nas revistas são títulos como: “100 maneiras de levar SEU homem à loucura”, ou seja, não é qualquer um. Não podemos ser hipócritas a ponto de afirmar que a imprensa (e somente a imprensa) dita comportamentos tão individualistas, mas podemos dizer que sofrem influência do pensamento coletivo e reafirmam em suas capas. Mas não quer dizer que as pessoas realmente pratiquem tais atos. O que elas afirmam em pesquisas nem sempre corresponde à realidade.
E Giu, concordo contigo, sexo e amor foram muito banalizados…
Mas ainda me pergunto, até que ponto a banalização é positiva ou negativa…
Bom… sobre o que socialmente induz as mulheres a fazerem sexo, eu digo: sei lá! Primeiro, porque não tenho conhecimento de causa. Tenho poucas fontes diretas que me informam sobre isso… conheço nem meia dúzia de garotas que se abrem sobre sexo comigo (oe…).
De resto, eu imagino muitos grupos de mulheres distintos. Existem as carolinhas-romantiquinhas que se prejudicam deveras esperando o príncipe encantado passar na janela, assim como existem as funkeiras-bondeadoras que com uns 15 anos podem ser nossas professoras no assunto (oeee…).
Assim como tem aquelas que provavelmente compram a revista querendo saber 100 maneiras de ser uma fera sobre lençóis (afinal, é matéria de capa, não?), como pode ser que algumas leitoras lêem isso acessoriamente, depois de comprar a revista pra saber de spoiler de novelas (ainda que elas sejam todas iguais…).
Enfim… embora não dê para generalizar tanto, deve haver razão para que essas revistinhas de novela/sexo sejam tão profusas nas bancas. Chegam a poluir o o campo visual…
Acabei não respondendo no outro comentário a pergunta do final do texto. Eu acho que amor é importante para o sexo, e isso tende à subjetivação. Mas objetivamente, amor não é essencial para o sexo. Nem teria como ser, convenhamos: isso é instintivo… e não obstante o amor também o seja (acredito eu), esse tipo de amor do qual a gente fala é claramente uma construção mais social do que natural.
E ao contrário do que muito moralista diz, não acho condenável transar sem amar, mesmo no sentido não romântico da coisa. Às vezes, o corpo grita mesmo, e é desumano exigir de uma pessoa sozinha que sofra isso sozinha. Se isso é freqüente, o problema acaba ficando mais na questão da solidão freqüente do que o sexo sem amor freqüente. Afinal, os dois são necessários para as pessoas (não necessariamente na mesma proporção, até porque não são coisas de mesma natureza).
O que é condenável é a sujeira de caráter, somente. Tanto a predisposta como a posterior. Como eu disse no outro comentário, eu gostaria de ter a força de espírito necessária para não me entregar a ciúmes, sentimentos de posse ou vaidade mesmo tendo a oportunidade de transar com 100 pessoas, se tanto elas como eu estivermos a fim de algo descompromissado e eventual. Hoje, não sou capaz (e nem tenho porque fazê-lo, também). Mas acho muito bonita a imagem de um casal se entregando um ao outro de maneira desprendida, cada um respeitando e experimentando a existência do outro. É como se pudéssemos reconhecer o valor de um ser humano como a gente sem precisar invadir sua vida para ter certeza. É de uma força e confiança muito intensas… (mas que seja sexo seguro XD pra DSTs e gravidez confiança não existe!).
Enfim, continuemos a trocar palavras, experiências, fluídos… (oeeeee XD).
P.S.: Vou apanhar muito depois disso XD
Não podemos ser hipócritas a ponto de afirmar que a imprensa (e somente a imprensa) dita comportamentos tão individualistas, mas podemos dizer que sofrem influência do pensamento coletivo e reafirmam em suas capas.
(…) é aconselhado a não dormir no primeiro encontro e reservar-se a algo especial, muito como as revistas femininas do passado.
Eu nunca estudei pensamento coletivo, mas parece óbvio que a imprensa não dita comportamentos individualistas. Quando perguntei sobre o “poder” da revista, pensei sobre o aconselhamento de não transar no primeiro encontro, “coisa” de revistas femininas do passado. Eu não tenho tanta certeza de que aparecem só referências de parceiros fixos ou já “conhecidos”. Parece que onde há tabu, há hipocrisia na sociedade. Realmente a maior parte das colunas (não estou me importando com o termo técnico, hehe) usa como referência um único parceiro, mas…
No caso o pensamento coletivo expresso nas revistas parece ser reflexo de hipocrisia. Por isso questionei: “As mulheres fazem sexo de acordo com o que lêem?”
Ah sim, realmente…
Uma vez fui numa exposição sobre revistas femininas no Itaú Cultural. O que muda são basicamente algumas expressões como “marido”, “moças de bem”… de resto, tudo igual.
Sempre ensinando a cuidar do parceiro, a serem boas mães, mulheres, profissionais (ok, isso não tinha naquelas revistas, hehehe)… ser super mulheres.
Apenas um pequeno comentário sobre o comentário do Thiago: as revistas femininas de que estamos falando não trazem resumos de novela. Trazem, no máximo, um ator ou atriz semi nu/a e contando detalhes de suas vidas.
Sexo.. esse tema é seempre polêmico. E em nome da polêmica adiei meu comentário sobre o post (tb pq não estava em um estado de espírito adequado para fazer um comentário mais crítico e menos ácido..rs)
Apesar de vivermos em uma sociedade dita mais “liberal”, onde existe espaço para a discussão de todo e qualquer assunto, o sexo ainda é um tabu. Em várias famílias (inclusive na minha) esse não era um tema a ser tratado com as filhas mulheres. Sexo antes do casamento era algo destinado apenas aos homens. Nós, mulheres, temos de nos preservar, esperar o homem certo, que nos levará para o altar, de véu, grinalda e um vestido branco…
Durante um período de minha adolescência fui extremamente conservadora quando se tratava de “ir para a cama” com alguém. Para mim, sexo só após o casamento. E seguindo todo aquele ritual romântico, certinho e bonitinho que as novelas e os filmes tanto pregam.
Com o tempo as pessoas mudam. Hoje tenho uma visão mais aberta sobre o tema. Não tão liberal quanto a maioria das pessoas de minha faixa etária, mas não tão ‘fundamentalista’ quanto a que tinha há 10, 12 anos.
Ainda não acho muito aceitável a idéia de “experimentar vários corpos” até descobrir aquele que nos satisfaça. Ainda acredito no sexo por amor e, em algumas situações, na abstinência, porém respeito quem não apenas prega, mas também pratica o contrário.