
Quando se passa grande parte do seu tempo pensando e lendo muito sobre cibercultura, internet, mídias digitais inevitalvelmente você termina por se isolar de todos. Ler em si afasta as pessoas, afinal, quem lê é um ET. Quem tem conhecimento mais aprofundado de computadores e internet também termina falando sozinho, um único ponto ciberdigital.
Logo, você não tem amigos, o leitor pode pensar.
“Imagem de uma cabeça… e suspenso atrás dela há um teclado de computador… sou essa cabeça programada!”
(Manuel Castells, em Sociedade em Rede, volume I)
Sim, eu devo ser essa cabeça programada.
E, se você está em seu ano de TGI, maluco com as coisas de TGI e a cabeça nas nuvens por causa do TGI… bem, você fala sozinho também. Mesmo aqueles que fazem TGI em grupo; todos piram juntos.
Sempre que há discussões sobre o poder da internet (mais precisamente das redes sociais) no comportamento das pessoas, os que não estão integrados costumam argumentar que o computador aliena as pessoas e isola. Bem, eu verifico essa teoria todos os sábados, no curso de webdesign. Ninguém olha para os lados, todo mundo concentrado fazendo os sites que não estarão finalizados até o final da aula. Os raios catóticos nos atraem com uma facilidade incrível, tomando nossa visão e nossos dedos como parte de si, profundamente fincadas em nosso subconsciente.
- “Solta o mouse!!!” – já gritava meu professor.
Porém, em minhas leituras diárias, verifico que as coisas não são bem assim. Só de pensar em meu cotidiano digital, sei que o computador não exatamente isola as pessoas, mas concordo que as priva de um ótimo contato físico. As pessoas já vivem com medo, mal se tocam (ok, tirando o ônibus e metrô lotados – e não é nesse sentido, seu pervertido!), não se abraçam, não expressam carinho. É necessário? Acredito que sim. Quem nunca esteve mal e recebeu um abraço tão gostoso que ajudou a melhorar o dia ruim?
Podemos cometer gafes estúpidas como estar conversando no MSN com alguém e a pessoa estar ao seu lado. Mas se essa pessoa viajar, vocês sempre estarão em contato, seja por e-mail, MSN, orkut, twitter… parece que é impossível perder contato com alguém quando se tem todos os contatos de outra pessoa. Só a preguiça e falta de tempo nos impedem de dar mais atenção a elas. E nesse ponto muitos dos autores que estou lendo concordam. As redes sociais ajudam as pessoas a se relacionarem.
E, por meio dessas pequenas conversinhas diárias, aumentamos a intimidade com essas criaturinhas. Claro, não me refiro aos chats de portais, onde cada um finge ser o que não é pra conquistar aquela pessoa que você sabe que não existe. Estou falando das pessoas que um dia fizeram parte do nosso cotidiano e hoje não estão mais tão presentes. Não digo que a internet não tenha suas armadilhas; elas são reais e todos caem nelas uma vez ou outra. Piadinhas enviadas por e-mail, longas conversas no MSN, troca de fotos no orkut; tudo isso colabora para aproximar e afastar pessoas. Assim como na “vida real”.
“Os sonhadores… expressam um sentido de solidão experimentado como existencial e inevitável, inerente à estrutura do mundo… Totalmente isolado, o ser sente-se irrecuperavelmente perdido”. Daí, a busca de nova conectividade em identidade partilhada, construída.
(Manuel Castells, em Sociedade em Rede, volume I)
Pequenas ironias e atitudes impensadas também minam uma amizade. E não há novidade tecnológica que entenda a complexidade do ser humano. Ou de dois seres humanos. Talvez por isso muitos se isolam no anonimato do computador e são outras pessoas nas redes sociais. Joga MMORPGs com milhares de pessoas sem ter vínculo algum com ninguém, mas é o cara mais popular do jogo; têm as primeiras novidades tecnológicas, mas não compartilham com os amigos imaginários – já que os reais não existem; tem três perfis lotados no orkut e apenas dois amigos sinceros; o blog é uma maravilha, impecável em estilo e layout, várias visitas ao dia… mas aquele vazio continua a existir. Ele pode ser outra pessoa no virtual, mas o real continua ali, sofrendo todos os impactos da vida dupla.
E há um meio-termo? Claro que há! Como verificado na Campus Party e em eventos de anime até, as pessoas conversam muito pela internet, sim. Mas o contato pessoal também acontece, as pessoas se encontram, saem juntas, se divertem juntas, jogam juntas e são amigos. Conciliar o isolamento de casa (ou da lan house) com a interatividade do mundo real acontece sempre e diariamente. Você que está fora do mundo digital que não percebe isso.
E viva a tecnologia!
No momento, não procuro conclusões. Me preocuparei com elas no final do ano.
Por enquanto, só quero pensar, teorizar e viver esse mundo.

Esse é um tema que me fascina, tecnologia. Mais especificamente, cibercultura. Adoro a idéia de poder estar próxima a alguém mesmo estando a quilômetros de distância, fisicamente, desta pessoa.
Até a idéia de “discutir a relação” via computador torna-se simpática. Afinal, não estou vendo seu rosto mesmo… Mas esse é o problema: não ver seu rosto.
O anonimato que a internet oferece é interessante, afinal é graças a ele que pessoas tímidas, inseguras ou até mesmo fechadas expoem ao mundo seus fantasmas. Mas esse mesmo anonimato torna as pessoas distantes, e as relações mais frias.
Muita gente considera a internet um mal, algo que irá destruir o contato físico em pouco tempo, já que enviar um e-mail ou ter uma longa conversa via MSN é muito mais prático do que se deslocar a algum lugar. Porém, eu não concordo. Procuro sempre ter uma percepção otimista da internet.
A internet isola? Sim, isso é um fato. Mas também aproxima. Aproxima e ensina. Desde que usada com inteligência.
Bjos
É, o mundo digital sempre foi bem vindo, afinal de contas, nosso circulo de amizades seria bem menor sem ele !!!
Não conheceria NAY, ZW ou oq mais veio de bom nesses anos…
E parabéns por citar Castells, o cara é muito crânio !!!
Li pra faculdade e espero não ler mais !!! xD
Nada mal..xD
Bem, vivo praticamente que muito essa cibercultura eu diria, e devo mudar isso, porque tudo em excesso não é bom.
Mas como dito, ela ajudaa se relacionar, mas uma pessoa que é timida, na internet será menos timida, mas marque um encontro e eis que verá uma pessoa congelar sem reação ao perceber que terá de sair daquele mundo.
Bem, não só a favor ou contra, é um realidade, aceite ou não é oque existe no momento assim como oque existia na idade média era espadas e machados.
Cada momento tem suas ferramentas que podem ser boas ou ruins conforme usadas.
Eu também acho que apesar de nos afastar fisicamente, as redes sociais acabam sendo benéficas. Não só por permitir que pessoas tímidas interajam socialmente, mas também porque ampliam muito os horizontes no sentido de conhecer gente com os mesmos gostos, gente parecida com você de uma certa forma.
Dificilmente estaríamos aqui se não fosse a internê =P
E dificilmente marcaríamos o RPG sem a internet, Rabay, xDD~
Hugo, depois que você passa da introdução e abstrai algumas historinhas que o Castells conta, o livro é bem tragável… nem de todo chato.
Vai ler Pierre Lévy pra você ver o que é ser truncado… xDDD
“ ‘Imagem de uma cabeça… e suspenso atrás dela há um teclado de computador… sou essa cabeça programada!’
Sim, eu devo ser essa cabeça programada.”
Você é o Manuel Castells? o.O
Bom… hehehe, eu me valho muito desse tipo de tecnologia, e ainda estou longe do tipo de muitos. Mas devo acrescentar que até mesmo meu namoro com a Bibi depende fundamentalmente de MSN, uma vez que não gostamos de telefones e não podemos nos ver sempre.
Bom, sobre os benefícios e malefícios da Internet, é o mesmo papo da televisão, né, gente? Ferramentas nunca são boas ou ruins, depende de como são usadas.
Mas a Internet trouxe, sim, uma revolução. Pode ser inclusive o marco da próxima era histórica. Seja de efeitos bons ou ruins, não dá para negar isso.
Ah, querem leituras truncadas? Trago algo do Direito pra vocês, haha!
A interatividade da televisão se resume a mudar de canal.
Mas isso vai mudar com a TV digital… um dia, quem sabe não tão longe…
E eu dispenso leituras de Direito… u.u
O problema, a meu ver, começa quando as pessoas perdem a noção de instrumentalidade da internet… é engraçado, é quase uma inversão de valores, sabe?
deixa eu ver se me faço entender…
muita gente hoje age como se as pessoas fossem os meios, fossem fungíveis, e acabam perdendo a noção e vivendo em função das coisas que deveriam ser encaradas como os verdadeiros instrumentos…internet é um exemplo…sei lá! Pode ser o consumismo, o distanciamento que a correria da vida gera, não sei…
bom, eu tenho a consciência tranqüila de que uso a net para estar em contato com as pessoas (estreitando, assim, nosso contato no mundo real) e para me informar.
ótimo texto
Cara vc só faz cursos legais! Webdesign agora? Como? Da meia noite às 6? huauahuahuahuah…
O TGI tá endoidando todo mundo, e eu ADOROOO tecnologia digital! Sabe que eu passo tanto tempo na frente do computador que acho normal a falta de sociabilização direta? Somos tds páginas do orkut, fotolog e nicks no MSN…
O mundo real é muito, mas muuuitooo mais complicado de viver! Aah sim! E exige mto mais dedicação!
=/
Amei o texto! Bjão Bianca!
é… uma coisa não substitiu a outra, né?
Nossa.. to exausta ….
Só mais uma coisa: talvez eu não chegaria a te conhecer, mesmo estando na sua classe, se não começasse a ler seus textos… interessante, não?