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[.filme: hackers.]

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Faz um tempo que assisti ao filme Hackers. E é um filme tão ruim que não valeria a pena falar dele. Mas ele é tão ruim que eu preciso compartilhar a minha revolta.

Comecemos pelo resumo da história: um garoto em seus 11 anos foi proibido de usar computadores porque ele causou o escândalo em Wall Street quando hackeou. Quando completou 18 anos, o Zero Cool (e ainda probido de usar computadores), estava de boa hackeando com os amigos e um novo membro ia entrar para a gangue. Esta criatura conseguiu entrar no sistema de um banco e descobriu uns dados sigilosos que depois descobrimos ser um esquema de corrupção e um empregado hacker do banco está planejando um desastre com um navio petroleiro e, assim, esconder o dinheiro que ele vem roubando há um tempo. OI?

Bem, o Zero Cool começa a se envolver com uma garota também hacker (interpretada pela Angelina Jolie) e o filme força uma tensão sexual inexistente entre eles. Fiquei com pena da Jolie. Ela é o estereótipo de mina bonita de filme dos anos 90 que serve para ser o interesse amoroso do protagonista e aparecer de pouca roupa. Ela paga peitinho e calcinha em cenas bem desnecessárias. E, mesmo se pegando com um qualquer na cama dela, tirando a roupa e tudo o mais, ela disse que vai reservar a primeira vez para o Zero Cool se ele ganhar dela em um campeonato de invasão de sistemas. Ah, tá…

Disse em algum twitt que ou o filme criou todos os clichês de filmes de tecnologia ou usou todos e ficou aquela salada de frutas sem gosto. Porque tudo de estranho e repetitivo que temos nos filmes sobre tecnologia hoje, estão em Hackers. Desde roupas “futuristas” a orientais estranhos na televisão fazendo sucesso com o nicho. Mas o melhor é o vilão tendo um ataque de nervos quando vê que o plano perfeito tinha falhas bem grandes. É o perfeito cientista doido revelando todos os segredos antes de ser derrotado pelo herói.

Após duas semanas, minha memória já não está tão boa a ponto de lembrar de cada detalhezinho do filme. E eu não tenho coragem de ver de novo. Meu conselho é: se alguém pedir para você assistir e falar que é um filme bom, melhor você reconsiderar suas amizades.

Ah, não tem uma atuação que salva.

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Mas só para não ficar só na avacalhação, o filme tem um ponto positivo: ver como as pessoas reagiam a tecnologias que hoje estão ultrapassadas. O grupo se esbaldando com internet discada (e tendo que procurar telefones públicos para conectar os computadores para impedirem o vilão de virar o navio) é impagável!

[.o livro das vidas.]

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Dos livros que eu estou lendo (e dos que eu deveria estar lendo), o que mais chama atenção das pessoas é o Livro das Vidas – Obituários do New York Times. Surge aquela curiosidade do porque alguém estaria lendo obituários, algo nada comum de se ler, mas que está todos os dias nos jornais. A verdade é que ocidentais não estão nada acostumados com o tema morte.

Um breve resumo do livro, por Bill McDonald, o editor de obituários do Times: “os melhores obituários são aqueles que nos falam de pessoas sobre as aquais nós nunca tínhamos ouvido falar antes e nos deixam chateados por não termos tido a chance de conhecê-las”.

Ainda não terminei de ler, mas faltam poucas páginas para isso. A frase de McDonald reflete bem o meu sentimento sobre o livro. Várias das pessoas homenageadas poderiam ser seus vizinhos e você nem se dar conta do que eles fazem. Como a história que mais me encantou, a de Meyer Michael Greenberg. Durante 30 anos, entre o Dia de Ação de Graças e o Natal, quando o inverno aperta, ele distribuia luvas para os desabrigados. Um ato tão simples e que ajudou muita gente a se sentir melhor.

Claro que nem todos são meros desconhecidos. Alguns ganharam Prêmios Nobel, outros eram pessoas ricas e influentes de Manhattan. Não fiz uma contagem de todos os textos, mas desconfio que a maioria dos obituários do livro são de pessoas não tão anônimas, talvez por ser mais fácil colher informações deles.

A maioria dos textos também fala de pessoas que nasceram no começo do século XX e, talvez por isso, dê uma sensação gostosa de nostalgia. Eu comecei a viajar no livro, imaginando como as coisas eram na década de 30 e comparando com o agora e como as coisas poderão ser. Enquanto leio, vou imaginando um filme meio sépia, com narração em off.

Apesar de falar o tema, a primeira vista, ser a morte, acho que ele fala sobre a vida. Descreve como aquelas pessoas viveram, o que fizeram e como fizeram a diferença para os que estavam ao seu redor. Pode soar bobo, meio auto-ajuda? Até pode e até pode ser. Mas foi algo real, alguém que saiu da frente do computador e fez as coisas acontecerem lá fora e não ficou agitando protestos de sofá ou homenagens a mortos com cara de ações virais na internet. #prontofalei

Ver e ler pessoas tomando certas atitudes me faz repensar algumas minhas. Preciso dar um jeito nesta vida para ter um obituário razoável.

***

Final nada a ver com nada.

[.addiction.]

dente-de-leao

E de repente você percebe que aquilo que lhe era tão vital, não tem mais importância.

Que aquela janela entrando no MSN não lhe causa arrepios.

Que tudo o que a pessoa fala ou escreve não condiz com as atitudes.

E você, que passou tanto tempo naquela obsessão, finalmente se libertou e nem percebeu.

O que fazer? Voltar a se agarrar naquilo ou deixar ir?

Let yourself go, let myself go…

denshablog

Tirando as séries da midseason, eu estou assistindo a outras duas: American Dad e Densha Otoko. Uma é americana e critica os costumes de seus compatriotas. O outro é japonês e conta a história de um otaku que se apaixona por uma menina rica. E qual das duas eu gosto mais?

A resposta é simples, basta ver no meu Twitter quantas vezes eu menciono a série. Embora o senso comum grite que eu deveria gostar mais de American Dad (até porque eu assisto e dou risada com Family Guy, do mesmo criador e com premissas bem parecidas), eu estou amando Densha.

Pois é, estou me divertindo muito mais com a história bobinha de amor. Talvez seja porque há uma identificação muito maior com o Yamada Tsuyoshi, otaku, que frequenta lojas em Akihabara e tem uma vida na internet, do que com Stan Smith, o agente da CIA, meio tapado, religioso, adorador da doutrina Bush. E olha que eu adoro uma boa crítica.

Tudo começou quando eu comecei a seguir mais pessoas que curtem a cultura japonesa e resolvi terminar de assistir Densha, que comecei a ver na casa do Thomás, peguei emprestado e não tinha parado para ver. Ainda acho que o melhor da série são os amigos internéticos do Densha (como referem-se ao Yamada na internet) e suas intervenções no relacionamento do garoto com a Aoyama-san. Mas a gente começa a ter afeição pelo nerd, porque suas intenções são muito puras.

Sabe aquele tipo de gente que te conquista porque é diferente de todas as outras, que tem um coração bondoso e que faz as coisas meio sem pensar, meio destrambelhado, mas sempre com a melhor das intenções? Esse é o Densha. É uma série que mostra que as pessoas podem sim ser boas, se ajudar e não querer passar a perna dos outros o tempo inteiro. Pode parecer um pouco de utopia, mas quem sabe?

Sabe quando você tem aquelas crises de identidade e acha que está sozinho no mundo? Mas então aquele bonequinho verde no MSN, que você nem conversa sempre, aparece e você resolve confiar. E ele se mostra mais compreensivo do que muita gente que está ao seu redor. E aquela pessoa do outro lado da tela nem te conhece, mas torce por você.

Claro que pode ser mentira, nunca se sabe. Mas como a série quer mostrar que é possível ter amigos do outro lado da tela e que gostamos das pessoas independente da sua aparência, vemos uma série de tipos esquisitos (e uns nem tanto, vai…) dando real apoio ao otaku.

Há quem ache triste o que irei dizer agora (e posso desenvolver melhor a ideia em outro post), mas isso é muito próximo da minha vida. O mesmo não dá para ser dito de American Dad, que nem tem a premissa de ser parecido com a realidade, mas de escancarar a hipocrisia dos americanos com relação ao mundo e a eles mesmos (e isso nem é ruim). Pense: seu pai é um agente da CIA, sua mãe é uma loira burra, sua irmã é uma hippie dos anos 70 em pleno século XXI, você é um rejeitado (tá, o Steve é o nerd da série, mas aquilo é o estereótipo de loser somente) egocêntrico e um alien mora com vocês. Ah, e o peixe de estimação é, na verdade, um nazista.

Dizem que American Dad é tudo o que Family Guy não conseguiu ser que, por sua vez, é tudo o que Simpsons não conseguiu. Não o colocaria em tão alto patamar; é uma série boa, veja bem. Mas quando se está vendo algo hiper sensível junto de algo hiper insensível… fica complicado não achar o segundo ruim.

American Dad tem suas boas sacadas, mas os personagens são tão caricatos que é difícil se ver ali. É mais fácil ter uma identificação com Family Guy. Aliás, as atitudes de vários personagens de um podem ser vistas no outro, o que é um pouco demais na minha opinião.

Mas sabe…

Ah, deixa para lá. Quando Grey’s Anatomy volta mesmo?

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