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Johnny Depp como Chapeleiro Maluco? Sou muito mais o Michael Jackson!

Johnny Depp como Chapeleiro Maluco? Sou muito mais o Michael Jackson!

Faz uma semana que o maior astro da música pop faleceu. Michael Jackson foi-se e deixou… um monte de incertezas. Nada é muito explicado, nada é muito claro e ainda surgem rumores sobre sua nada mole vida.

Uma das coisas mais comentadas era que Michael era pedófilo e muita gente disse que o mundo ficou melhor sem ele por causa disso. O problema é que ninguém sabe na verdade se o Michael era ou não um pedófilo. Ele foi acusado, mas não foi declarado culpado.

“Ah, mas ele pagou aos pais do menino para que eles se calassem”.

É, ele pagou. Não acho que ele tenha feito isso para que as acusações fossem retiradas ou algo do tipo… acho que ele simplesmente quis ser deixado em paz.

“Quem não deve, não teme”.

Mentira, né? Podemos transportar isso para as nossas vidas. Se um policial nos para por um motivo qualquer, muitos de nós vão começar a suar frio, a se preocupar, mesmo tendo nada a temer. E não é porque a polícia daqui tem fama de corrupta ou qualquer coisa que o valha, é porque a autoridade veio incomodar.

Se a gente fica assim quando nos incomodam uma vez, imagina alguém que teve a vida inteira exposta e sendo perseguido por meio mundo.

E também não consigo acreditar que ele seja um pedófilo. Ele gostava de estar cercado de crianças, não tem como negar. Acredito eu (e ninguém precisa concordar comigo) que essa vontade de estar com crianças provém da infância que ele nunca pôde ter de verdade. Afinal, trabalhando desde pequeno, com o pai ameaçando bater nos filhos caso eles não ensaiem e virem astros, tendo a pressão do mundo em cima dele… não é surpresa ele carregar esses traumas para a vida adulta.

Pode ser extremamente ingênuo da minha parte dizer isso, mas acho que o Rei do Pop levou muito a sério a história do Peter Pan e ele ficava ao redor das criancas se comportando como uma e não abusando sexualmente delas. Talvez ele seja assexuado mesmo. E os depoimentos dos amigos íntimos do cantor não condizem com a fama de pedófilo que divulgam por aí.

Será que onde tem fumaça, tem fogo? Eu acredito que os pais do menino que diz que foi abusado pelo Michael estavam aproveitando a fama e queriam tirar uma graninha. Nunca mais ouvimos qualquer acusação do tipo e pedófilos (infelizmente) não param na primeira criança, né?

E falando em infância, temos que falar do senhor pai de Michael. Era sabido que ele maltratava os filhos, querendo que todos estivessem no show business. Agora ele quer cobrar US$ 25 dos fãs para que eles possam presenciar o funeral. E quando a morte do Michael foi anunciada e o mundo ao redor da família Jackson estava triste, o pai do Michael sorria para os paparazzis. Mal sentiu a morte do filho, só viu mais uma forma de ganhar dinheiro às custas das crias.

Conversando sobre isso com um amigo fissurado no Michael Jackson, perguntei porque o Michael insistia tanto nas cirurgias plásticas. Ele me disse algo que eu nunca tinha parado para pensar e faz todo sentido: o Michael odiava tanto o pai (como podemos ver no testamento, em que o pai nem é citado) que fazia tudo o que podia para ser o mais diferente dele possível. E isso incluia o físico.

Muita gente questiona se o Michael não era racista e coisas do tipo. Não tenho como acreditar nisso; só ver os vídeos dele, vários com negros como protagonistas. Não sei que tipo de procedimento que o Michael passou (e não me interessa saber), mas acredito que o branqueamento do cantor é por um motivo mais simples – e mais pessoal – do que a maioria das pessoas quer acreditar. Afinal, é muito mais fácil e cômodo julgar o outro por seus próprios padrões do que tentar descobrir a realidade.

Claro que eu não posso provar nada do que disse acima e nem pretendo. Como fã do Michael, é dessa maneira que eu prefiro lembrar dele. Duvido que, um dia, nós iremos descobrir a verdade sobre ele; talvez apenas a Diana Ross e a Liz Taylor saibam realmente o que o Michael pensava.

De qualquer maneira… eu prefiro lembrar do Michael como um artista único, com uma vida conturbada e misteriosa, mas capaz de encantar gerações mesmo enquanto estava em decadência. E que não tinha o mínimo de noção, vendo pelo filme Moonwalker. O trono do Rei do Pop está sem um dono, será que alguém consegue substitui-lo?

Old Man, by innakayuta

Old Man, by innakayuta

É como se eu estivesse tendo um deja-vu. Quase que na mesma hora, no mesmo dia da semana, estou eu escrevendo um texto baseado em um seriado. Se bobear, comecei a escrever o primeiro texto após o episódio que acabei de ouvir. Para variar, era Grey’s Anatomy. Mas, naquela época, eu tinha o TGI para pensar sobre.

O episódio 7 da quinta temporada sempre me faz chorar. Sempre, sempre, sempre. Um dos casos é de um casal de velhinhos. Ela tem um tumor no cérebro e o Dr. Shepherd, o mais renomado neurocirurgião precisa operá-la. Para ajudá-lo, está a hiper competente Dr. Bailey.

Todas as vezes em que ela ia para uma cirurgia, ela assinava o DNR (Do Not Resuscitate, um tipo de acordo que diz que se o paciente tiver algum problema pós-operatório, os médicos não devem ressuscitá-lo), eles se despediam. E ele esperava que ela acordasse. E nesse episódio, ela não acorda.

E ele, desesperado, começa a massagear o coração dela. E chora. E eu choro junto. Choro junto por uma conjunção de fatores. Primeiro porque eu sempre choro quando tem alguma situação envolvendo idosos e crianças. Segundo porque me faz lembrar dos meus próprios avôs. E terceiro, porque é triste perder alguém que você ama, não importa o tipo de amor que você sinta pela pessoa.

Não somente por uma questão de romance. A gente se acostuma com a presença de algumas pessoas e sente a falta delas quando elas se vão… para sempre, a perda parece ser maior. Eu sou uma pessoa razoavelmente acostumada a lidar com a morte e eu caio no choro quando acontece, porque eu sou chorona.

E quando eu vejo histórias de velhinhos que passaram a vida inteira juntos e fizeram disso sua única forma de viver, apoiar-se um no outro… eu choro. Porque não é apenas um que morreu, uma parte do outro foi junto com o parceiro. Não me espanta saber que após a morte de um, o outro morra também.

Isso porque eu não acho bonito a dependência que algumas pessoas têm com relação ao parceiro. Quando todos os seus amigos já se foram, em quem você vai confiar toda a sua vida?

Aquela cena do velhinho indo embora do hospital… me parte o coração.

We born, we live, we die. Sometimes not necessarily in that order. We put things to rest, only to have them rise up again. So if death is not the end, what can we count on it? Because you sure can’t count on anything in life. Life is the most fragile, unstable, unpredictible thing that is. In fact, there’s only one thing about life we can be sure.

Foto por Lívia Lima

Foto por Lívia Lima

Esses dias aconteceu uma situação engraçada. Estava eu no ponto de ônibus esperando o bendito que ia me levar até o metrô. Como de costume, ele resolveu atrasar, nada que me tirasse o bom humor e um pouco do nervosismo de ir assistir uma banca de TGI. Percebi que o meu ônibus estava atrasado porque havia muitas pessoas no ponto, algo incomum para o horário. Os outros passavam e as mesmas pessoas ficavam.

O ônibus finalmente apareceu atrás de um outro. Mas ele não parou no ponto, passou reto, fingindo que não existíamos. Enquanto a maior parte das pessoas acompanhava o coletivo indo embora e resmungava que os motoristas não respeitam o cidadão, entre outras coisas, eu fiquei olhando para a frente. Avistei o segundo ônibus (este sim saindo no horário certo) e fui pegá-lo.

Sentada, ouvindo as pessoas ainda reclamarem do primeiro ônibus, comecei a observar o rosto de cada um. Não vi nenhum rosto bonito (não exatamente de beleza, mas agradável de olhar), não percebi nenhuma aura simpática. As pessoas se fecharam de tal forma… tudo por causa do atraso de um ônibus. Um ônibus, aliás, que muitas dessas pessoas sabiam que tem o costume de atrasar.

Analisando o comportamento destes estranhos, vi o quanto eles perderam tempo e energia com negatividades. E alguém me responda, serviu para alguma coisa? “Ah, é legal reclamar dessas coisas”. Ok, mas adianta? Para mim, se não produziu, no mínimo, um debate sobre a condição do transporte público em São Paulo, não adiantou para nada.

Não duvido que essas atitudes são comuns nas vidas dessas pessoas. É fácil se acostumar apenas a ver o lado negativo das coisas ao invés de olhar para frente, superar a adversidade e ver o outro lado. Reclamar por reclamar é simples, basta abrir a boca. Talvez fosse mais agradável (e mais difícil) você abrir um sorriso e ver o lado bom da história. Não digo que sou a pessoa mais otimista do mundo; apenas acho que certas coisas, a gente pode relevar. Por exemplo, eu não tenho motivos para reclamar de ter perdido um ônibus. Algumas vezes isso aconteceu e o ônibus que acabou de sair, se envolveu em um acidente no caminho.

Tive sorte? Pode ser que sim. Mas não faz diferença. Não esquentei minha cabeça com coisas mundanas, detalhezinhos bestas que fazem algumas pessoas perderem o bom humor o dia todo. Vivo melhor seguindo a teoria do Playmobil.

Não porque seja uma alienada que não se importa com o que acontece fora do meu umbigo. É porque eu sei separar o que realmente importa do que é descartável. Simples assim.

balanco

- Childhood suposed to be all about swings.
- Swings?
- Yeah. You know, how high can I go; if I twist the chains, how fast will I spin?
- What if I try to jump off before the swing stops?
- Exactly.
- I miss that feeling.
- Me too.

Essas frases ouvidas em Bones me trouxeram lembranças da minha infância. Quando eu era menor, também adorava ficar em balanços. Se pudesse, ficava o dia todo apenas balançando as pernas, subindo e descendo, sentindo o vento bagunçar meus cabelos e ouvindo música. Era um local seguro, onde eu podia ficar com as minhas histórias sem ser importunada.

Aos que não sabem, eu sempre fui de inventar contos em viagens, em carros e em balanços. Histórias que duravam apenas o suficiente para me distrair nesses momentos. Quando era criança, sempre viajava para o sítio que meu avô tinha, no interior. Levava umas duas horas para chegar e eu ia no carro ouvindo música e pensando em contos. Chegando no sítio, era um local só de brincadeiras, passeios no meio da natureza, medo das vacas e porcos, correria… basicamente, diversão como toda criança merece.

E então chega a mim um documentário chamado Criança, a alma do negócio e minhas lembranças da infância ficam mais fortes. O documentário mostra como as crianças de hoje estão muito sexualizadas, consumistas e não querem mais saber de coisas de crianças. Estão virando mini adultos. (E o documentário é ótimo, #assistão!)

Acho triste esta condição em que as crianças estão vivendo. Sou “das antigas” e acho que criança tem que se preocupar em brincar, correr por aí… e não em ficar na frente do computador, entrando no Orkut e vigiando a paquerinha de colégio ou coisa qualquer que o valha.

Eles terão a vida inteira para isso, mas ser criança MESMO é só uma vez na vida. Há quem diga que a gente volta a ser criança quando os filhos nascem. Eu tenho minhas dúvidas. Depois que a gente cresce, perdemos a inocência e a liberdade que uma criança tem. Perdemos a leveza que só as crianças nos mostram. Quando crescemos ganhamos umas virtudes e perdemos outras. Mas não há meios de recuperar certas coisas.

O adulto volta ao balanço e ele, invarialmente, traz recordações. Daquela infância gostosa com cheiro da laranja do pomar, dos pés passando suavemente na grama recém molhada pela chuva, do céu limpo que não estamos acostumados a ver nas cidades grandes.

Gostaria de voltar a sentar em um balanço em todos os finais de semana e esquecer que o mundo existe. De passar o dia indo e voltando e ficar dolorida no dia seguinte. Queria ficar em meu mundinho, ouvindo músicas e inventando mais histórias malucas (e, antes que alguém pense que eu só vivo no mundo da lua, minhas histórias “de balanço” e “de viagens” são mais parecidas com enredos de RPG e filmes de ficção do que com a vida real), protegida em uma bolha de infância.

Talvez seja essa uma das razões pelas quais as pessoas passam tanto tempo em massagistas, terapeutas e afins (eu inclusive). A gente perdeu algo de importante e não sabe direito o que é… e, ao invés de procurar em nós, vamos procurar nos outros. Quem sabe, uma volta ao nosso “besuto pureisu*” não nos ajude?

* besuto pureisu: jeito de japoneses dizerem “best place”. (piada interna)

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